Sentir, agir, pensar o mundo
A manhã do dia 10 de junho foi de aprendizado com festa na loja da Origem em Belo Horizonte. Boas doses de ânimo e concentração animaram a turma de 40 crianças do 9º ano da Escola Municipal São Rafael, que se deliciaram com jogos vindos dos quatro cantos do planeta. Olhos e mãos afinados buscavam a estratégia que, afinal, garantisse a vitória. O desejo comum: degustar o sabor de cada novidade. Conhecer cada jogo, explorar seus desafios; contando com a sorte, e sobretudo, com atenção máxima às regras que levassem à decisão certa.

A visita dos estudantes faz parte do projeto “Oficina do Pensar e Agir”, desenvolvido pela Origem junto às escolas de ensino fundamental e médio, que recebeu da Prefeitura de Belo Horizonte, em 2009, o prêmio “Parceiros da Escola Integrada”. O Kit da Oficina do Pensar e do Agir inclui 11 jogos de estratégia e é adquirido pelas escolas, para que os estudantes experimentem graus de dificuldade crescente e os professores potencializem o gosto dos adolescentes e jovens pelo desafio dos jogos.
“Trabalhar com a estratégia no sentido lúdico. A estratégia vem da observação, inclusive do campo adversário. O jogo é um aprendizado. Você precisa ter paciência de observar o que o adversário está fazendo, só que isso demanda tempo, não se consegue na primeira jogada”, reflete a coordenadora Érica Cury Veloso Bé (na foto, à direita, com a professora Isabel Reis), que acompanhou os alunos durante a visita à Origem.
Aprender brincando
“O mais difícil, ganhar uai!”, sintetiza, com humor, Michele Arécia, 14, que joga Capitão Cook. Simples assim! Os colegas riem, em aprovação à frase honesta de Michele. Ela guarda, por trás da afirmação econômica, o que revela com olhos curiosos, em busca das pistas para a estratégia vitoriosa.
“O Jogo da Velha é velho conhecido”, brinca com as palavras o estudante Mateus Felipe, 15. Absorvidas no tradicional tabuleiro, as mãos são companheiras delicadas que pensam, a todo momento, o que fazer com as peças à sua frente. Decididas, já sabem o que movimentar, mas precisam ser criteriosas e perseverantes, para não se perderem no caminho, por isso, todo cuidado é pouco, pressentem. Ao darem um passo errado, em hora incerta, podem botar tudo a perder. Intuem que é preciso planejar, prever, organizar o trajeto, para conquistar, com sabedoria, caminho de sucesso.
O Jogo de Dama é um dos mais populares. Igor da Silva, 14 e Tales Daniel, 15, estão concentrados na imagem do tabuleiro, a ponto de esquecerem tudo ao redor. Mas um ponto da sala chama a atenção, sinalizando algo especial por perto: “Aquela flecha é de verdade mesmo?”, pergunta Tales (na foto, à direita). Provoca silêncio a descoberta do belo objeto, que lembra referências conhecidas e, ao mesmo tempo, distantes. A flecha é parte do material que a Origem colheu no projeto “Jogos Indígenas”, que compilou os jogos que os indígenas brasileiros conhecem, ou praticam hoje em dia. Uma vez esclarecido sobre o objeto, o garoto, que não perde o ânimo, retoma a seriedade do jogo com o colega, que o aguardava pra seguir viagem.
E o nome do jogo ao qual se dedica Amanda da Silva, 14? Ela não sabe dizer; joga porque gostou dele, apenas. Assim, entrega-se ao mistério chamado “Tecnologia”. É quando o sino da Origem toca: um aluno avisa a todos que o passeio estava terminando. Hora de voltar pra escola; olhos alertas percorrem detalhes da sala acenando rápida despedida; o burburinho prossegue, no calor da manhã de quinta-feira. O aprendizado que traduz os sentidos da matemática, do português e da história vai adquirindo novas formas e cores e continuará a crescer. Assim, pensar e agir criativamente no mundo, brincando com as peças do conhecimento, leva novas lições pra sala de aula.














22 de junho de 2010 às 1:17
ÉRICA BÉEEEEE , você tá de parabens querida !
continue assim, boa professora como foi os anos passados.
Beijão, saudades imensas !!!
19 de julho de 2010 às 11:53
Aprendi muito com jogo de estratégia.
Muitas vezes, ele determina a sua postura de vida.
Suzana