Elas jogam e muito!


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Junto à família e aos amigos, as mães sabem o quanto são felizes ao redor de um tabuleiro

Elas educam os filhos, mantêm em funcionamento a rotina doméstica, exercem, com dedicação ímpar, missão sagrada: prover a família do necessário sustento afetivo e material. Em nome delas, já se falou que “só as mães são felizes”, e, não raro, sustenta-se a máxima de que “mãe é padecer no paraíso”. Livres, leves e soltas, o que elas fazem nas horas vagas, quando cultivam o puro prazer da convivência? Além de trabalhar, estudar, correr atrás do “pão nosso de cada dia”, as mães, simplesmente, adoram participar de projetos interessantes, aos quais se dedicam como ninguém.

Imersas no tempo destinado à família, longe das obrigações do trabalho e das responsabilidades cotidianas, reúnem-se com seus filhos e amigos para, dentre outros hábitos, jogar, e muito, até, literalmente, esquecer da hora. Ao resgatar lembranças da infância, ou inventando novas formas de, simplesmente, estar junto de quem se gosta, é também em função do incentivo maternal que a sedutora arte de jogar tem fortalecido laços em nossa cultura.

Tempo de jogar
Quando a neta vem da Alemanha, a professora Rosa Brant não hesita em incentivar a curiosidade infantil pela aventura dos jogos, forma lúdica, encontrada pela avó, de diminuir as diferenças culturais entre os dois países. As tardes da menina que aprecia música clássica e quer se enturmar com os brasileiros de sua idade são, habitualmente, desfrutadas na Origem, em meio a descobertas que a vó, certa dos vários benefícios dos jogos, defende como principal meio de crescimento e formação pessoal. Entre os prediletos, o Tangram e o Arranha Céu já fazem parte das histórias de viagem à casa da vovó querida, no Brasil.

“O jogo é a atividade lúdica mais importante. Além de brincar, a criança raciocina, respeita regras, percebe que ora ganha, ora perde e aprende a ter paciência”, justifica Rosa. Concentração, perseverança, aprendizado, tudo isso acompanhado da presença estimada da avó. Seguidora do budismo, Rosa relaciona o momento do jogo com o de iniciação à meditação, quando “é preciso se entregar inteiramente ao que se está fazendo”.

Tanto é assim que ela pretende expandir esses encontros ao ambiente extra-familiar. Quer investir na capacidade de concentração e socialização das vizinhas que já se aposentaram, às quais convidará para encontros imperdíveis. Isso mesmo: ao ouvir a professora, ficamos com a certeza de que, se depender dela, as vizinhas -  que já criaram seus filhos e agora têm tempo de sobra para a diversão - vão mergulhar no fascinante universo dos jogos. E o melhor, sem precisar sair do condomínio onde moram, unindo, portanto, o útil ao agradável. Por inspiração de Rosa, para quem o “tempo de jogar é fundamental para a criança”, elas serão amantes dessa arte que vem encantando meninos e adultos de todos os tempos.

 

Flávia: jogo motiva encontro familiar

Flávia: jogo motiva encontro familiar

Espaço cultivado

A casa da galerista Flávia Albuquerque sempre teve lugar reservado para encontros compartilhados em torno do tabuleiro. O tatame instalado na sala, que ela chama de “espaço de convivência familiar”, não inclui direito à TV, por exemplo. Ali não se dispersa do centro das atenções: os jogos, como o gamão, velho companheiro do filho de 15 anos. Para a pequena, de sete, os jogos de montagem, até pouco tempo, roubavam a cena. Flávia considera que jogar é sinônimo de afeto partilhado e isso significa acompanhar o crescimento dos filhos, investir na formação do caráter dos meninos, plantar boas sementes para que os frutos, que não demoram a surgir, sejam doces, saudáveis e belos.

Durante viagem de férias, ela chegou a participar com o filho, então com sete anos, de um campeonato de gamão. Não ganharam o jogo, mas tiveram a satisfação de ver como o saber infantil provocava a admiração da plateia. Quem se encantou com a atuação empenhada do filho acabou naturalmente tomado pela presença da mãe, e não poderia ser diferente.

Não há nada que uma mãe queira mais do que ver seus filhos felizes, e o espaço familiar, para Flávia, faz parte de uma espécie de jardim cultivado com delicadeza e entusiasmo. Quando o assunto é o espaço afetivo da casa, Flávia sabe mesmo o que deseja. “Já fico com meus filhos tão pouco que, se eu chegar em casa e não construir algo interessante com a família cada um vai para o seu quarto. O jogo motiva o encontro familiar”, expressa, convicta.

 

Maria Lúcia, que joga com as amigas: raciocínio, paciência e incomparável diversão

Maria Lúcia, que joga com as amigas: raciocínio, paciência e incomparável diversão

Com açúcar e afeto
Programa completo é uma boa expressão para caracterizar o encontro do qual participa, às terças-feiras, a gerente de loja de roupas femininas, Maria Lúcia Alcântara. Isso porque não falta absolutamente nada para a partida de “canastrão”. Impreterivelmente de 19h às 2h, há compromisso marcado na agenda da gerente e de suas amigas, que se revezam, semanalmente, para que todas participem da festa. O grupo reúne-se para o jogo de baralho, diferente do famoso “buraco” por conta, por exemplo, da exigência de “descer o jogo para pegar o lixo”, o que faz desse um jogo mais “sofisticado”, segundo Maria Lúcia. Na ocasião, elas falam sobre a vida, desabafam confissões da semana, contam boas novidades e desfrutam de jantar preparado pela anfitriã.

Bebidas e petiscos à parte - cada participante oferece os seus ao grupo - garantem cardápio gentil e festa animada, com direito a repetir a dose. A cada encontro reunem-se quatro mulheres de um grupo de 16 jogadoras, que ganham pontos valiosos, como explica Maria Lúcia, nos campos do raciocínio, cálculo e paciência. Mas nada se equipara ao valor do afeto construído em torno do hábito de jogar. “A minha geração tem muita gente só”, afirma a gerente, que trabalha com produtos para essa faixa etária.

Elas já criaram os filhos e agora querem gerar novos vínculos. Para isso, nada melhor do que encontrar Maria Lúcia no caminho, o que, certamente, significará ânimo renovado. “Tenho clientes que se tornaram minhas amigas”, conta, manifestando grata satisfação de quem aposta todas as fichas nos momentos felizes. Como no jogo, que apresenta sempre algo novo a cada partida; com o passar do tempo,  o encontro torna-se aventura celebrada por companheiras que chegaram pra ficar.

4 comentários para “Elas jogam e muito!”

  1. patricia disse:

    Raquel,
    Adorei!

  2. leila rocha disse:

    Adorei.. E fiquei feliz de reconhecer iuma velha amiga de colegio a maria lucia alcantara.
    mudei-me para a frança e perdi o contato com ela. Vc poderia me dar o telefone ou email dela?
    Obrigada Leila Rocha

  3. Origem disse:

    Oi Leila, nós também ficamos felizes! Já passamos seu contato à Maria Lúcia, que ficou muito emocionada em receber notícias suas!!!

  4. Suzana Barbi disse:

    Vocês estão de parabéns, meus queridos.
    Esta “reportagem” ficou demais.
    Adorei lê-la!
    Suzana

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